Coluna Política Pimenta no Reino 11-04-2018

Publicado em 11/04/2018 - 15:03 | Por Redação

PT de Tião e Jorge quer fazer de cela da PF diretório do partido; juíza diz ‘não’

Saiba por que o governador do Acre e outros oito deram com ‘a cara na porta’ em sua tentativa, ontem, de visitar Lula na prisão

Aceno

Ao negar pedido de visita a Lula feito por nove governadores de estado – entre os quais o do Acre, Tião Viana (PT) – a juíza Carolina Lebbos acenou, ontem (10), com a disposição de não tratar o ex-presidente como um preso especial.

Sem regalias

Lula foi condenado por crime comum e será tratado como detento comum. Foi o recado da justiça aos ilustres visitantes e a todos os demais parlamentares e dirigentes partidários que reivindicam regalias para si e para o petista.

Dia marcado

Os presos que estão na sede da Polícia Federal de Curitiba recebem visitas às quartas-feiras. Só os advogados podem visitá-los nos outros dias. O juiz federal Sergio Moro já havia dito que Lula não teria privilégio no recebimento de visitas. E Carolina Lebbos endossou-lhe a determinação.

Estratagema

A romaria política da qual fez parte Tião Viana tinha dois objetivos: o primeiro deles é pressionar a justiça a fim de garantir tratamento diferenciado a Lula. Daí a chegada da comitiva numa terça-feira a Curitiba, um dia antes da permissão dada aos presos da PF de receberem visitas.

Diretório petista

O segundo objetivo é que Lula possa, de dentro da cela, reger a orquestra política para as eleições de outubro deste ano. Em suma, os lulistas querem fazer do cárcere uma espécie de diretório partidário, de onde o companheiro-mor possa despachar ordens, ouvir opiniões e dar conselhos.

Protesto virtual

No Facebook, Tião Viana protestou com o seguinte texto: “Nós, os governadores do Nordeste e de mais outros três estados, fomos impedidos de visitar o presidente Lula na sede da Polícia Federal de Curitiba. Fizemos pedido de visita com base no artigo 41 da Lei de Execução Penal, que assegura nestes casos ao preso receber visitas de advogados, familiares e amigos” (grifo da coluna).

O que diz a lei?

Ao recorrer ao artigo 41 da Lei 7210/84, o governador tenta passar a impressão de que a magistratura em Curitiba comete uma ilegalidade. Ocorre, porém, que o referido artigo estabelece, entre os direitos do preso, a “visita do cônjuge, da companheira, de parentes e amigos em dias determinados” (grifo também da coluna).

Nada de excessivo

Ora, o dia de visitas de pessoas que não sejam os advogados dos detentos foi – como já dissemos – estabelecido pela justiça para as quartas-feiras, portanto nada há de excessivo na negação do pedido dos governadores por parte da juíza Carolina Lebbos.

É cada uma!

Na mesma publicação, Tião Viana disse ainda que “O que está acontecendo no Brasil aumenta instabilidade política, cria insegurança jurídica, abala a economia e os mais pobres sofrem mais”.

Perguntas que não querem calar

As perguntas que este colunista faz são as seguintes: há alguma coisa capaz de causar maior abalo à economia do que a crise legada pelos governos companheiros? De entristecer mais os pobres do que a taxa de desemprego no Brasil no primeiro trimestre de 2016 (ainda no governo Dilma), que ficou em 11,2%? Há maior insegurança à Nação do que testemunhar o conluio de partidos aliados do PT, que junto com este promoveram a maior rapinagem da história da República nas estatais brasileiras?

Favas contadas

A proibição da visita dos governadores a Lula serviu para engrossar o coro sobre as supostas injustiças cometidas contra aquele que se tornou, na retórica companheira, um perseguido da magistratura brasileira, da imprensa, das elites, do Supremo Tribunal Federal e até do ‘imperialismo norte-americano’.

Lengalenga

Essa mesma ladainha foi entoada na Assembleia Legislativa do Acre, ontem, pelos deputados Daniel Zen (PT), líder do governo na Casa, Lourival Marques (PT) e Jenilson Leite (PCdoB).

Maquiavélicos

O país está dividido, sim, mas não devido à ação da Lava Jato que descambou na prisão de Lula, no último dia 7. Nossa divisão decorre da prática das esquerdas em qualquer lugar do mundo, a qual consiste em polarizar as pessoas em campos diferentes para, assim, poder governá-las sem o risco de que se unam contra os governantes – uma lição aprendida na mais famosa obra de Nicolau Maquiavel, que o leitor certamente já leu.

Mau entendedor

Mas o discurso que tenta tiranizar o Judiciário para fazer de Lula uma vítima inocente não sensibiliza a magistratura e nem tem sido capaz de mover as massas. Enquanto os juízes se amparam no rigor das leis contra a histeria dos lulistas, a patuleia segue com outras preocupações – como, por exemplo, os graves problemas na segurança pública. Só Tião Viana e seus pares parecem não ter entendido isso.

Catecismo político

A propósito, o deputado estadual Antônio Pedro (DEM) deu uma bela aula bíblica ao falar sobre a prisão de Luiz Inácio. “A Bíblia está cheia de exemplos de pessoas que começaram bem e terminaram mal. Lúcifer começou como querubim e terminou como um demônio. Adão e Eva tinham um jardim só para eles e acabaram expulsos. Judas começou como discípulo e terminou como traidor”, disse o parlamentar, depois de lamentar as escolhas feitas pelo ex-presidente.

Lata do lixo

Tal qual a pregação de que o impeachment foi um ‘golpe’ para que Michel Temer assumisse a Presidência, e uma vez no cargo pudesse fazer as vontades da elite, haverá de terminar a retórica delirante contra a Lava Jato. Ou seja, em absolutamente nada.

Espiral da história

Não há como deixar de citar Collor, que em 1992, à beira da deposição, rogou ao povo que se vestisse de verde e amarelo e saísse às ruas em defesa do seu governo. Mas o que se viu foi um gigantesco protesto de pessoas vestidas de preto. Era a Nação de luto. Era a derrocada do Sr. Fernando.

De volta ao sofrimento

Vinte e seis anos depois desse episódio traumático, eis que estamos de volta ao luto. Mas não por causa da prisão de Lula. Nossa dor decorre da constatação de que a esperança não venceu o medo, conforme nos foi prometido em campanha pelo PT – mas acabou (ela, a esperança) soterrada sob o mais escabroso espetáculo de roubalheira e irresponsabilidade já encenado nos palcos de Brasília. Cai o pano.

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